O MÉTODO CORPO INTENÇÃO E A TÉCNICA DE AFABETIZAÇÃO CORPORAL

O Método Corpo Intenção (MCI) é uma ferramenta para ativar os processos de desenvolvimento humano. O método propõe desenvolver a capacidade própria de cada um em aprender fortalecendo condições que favorecem a interação das pessoas nos ambientes de convivência, promovendo mais e melhores conexões entre as pessoas e as fontes de informações.

O uso da palavra ambiente propõe a presença de espaços vivos que são gerados nos encontros entre pessoas e entre as partes de uma mesma pessoa. Podemos entender ambiente como um local que é constituído pela dinâmica da vida na sua qualidade transitória, em si e fora de si. Estados que se alternam entre cansado, triste, atento, alegre, disposto, raivoso, etc. E ambientes de convivência como aquele onde dois ou mais corpos ambiente interagem.

O MCI foi gerado nos ambientes de convivência e se retroalimenta dele:

O MCI propõe uma aposta nos ambientes de convivência como fonte de compartilhamento e aprendizado, ambientes nos quais a capacidade de cada um em aprender é o elemento definitivo para conquistas pessoais e coletivas, o fator primário que encaminha ao desenvolvimento humano. Ambientes de convivência nos quais as pessoas têm a oportunidade de influenciar e serem influenciadas e nos quais a presença de Corpos Sensíveis garante a continuidade do envolvimento com o aprendizado. (CASTRO, 2016a, p. 56)

A Técnica de Alfabetização Corporal (TAC) oferece a prática em suas experimentações complexas e os acontecimentos vivos que se seguem, acomodando diversas práticas corporais aplicadas a partir dos conceitos sistematizados na técnica: Movimento Tátil, Sequência Intencional, Espera Ativa e Deslocamentos. Os conceitos sistematizados na TAC servem de alicerce no qual as práticas diversas vão se apoiar, e, desse modo, podem favorecer a conquista de Corpos Sensíveis, qualidade necessária para a presença de cada um em cena.

Quando olhamos um corpo apoiados nas suas ações e as condições próprias que cercam essas ações - mobilidade, gestos, expressões e movimentos - somos capazes de enxergar um sujeito em si, ali, existindo/acontecendo do jeito que pode apoiando-se naquela forma. O sujeito em si pode manejar a si mesmo liberando ou submetendo um agente em si. Para o MCI, o agente em si é aquele que faz a ação e o sujeito em si é aquele que pessoaliza a ação. No livro O Método Corpo Intenção. Uma terapia da prática à teoria, Denise explica as diferenciações entre o agente e o sujeito em si:

O agente e sujeito em si têm formas diferentes e, portanto, funções diversas. Nesse sentido, entendo a necessidade de distinguir as formas em si da consequente possibilidade de encontros e desencontros. Qualquer ação sobre o agente afeta o sujeito e vice-versa. Essa afirmação parece óbvia, mas a falta da percepção de que a ocorrência em um é indissociada da ocorrência no outro carrega o indivíduo para confusões e tropeços que, talvez, possam ser regulados e ajustados por meio da percepção e do contorno de si mesmo. Tanto o agente como o sujeito em si passam por transformações constantes ao longo da vida que, impermanentes, alteram e deslocam pessoas, corpos, pensamentos, grupos. Perceber essas transformações permite-nos acompanhar o processo – não para nos antecipar aos acontecimentos, mas para reconhecer as transformações por que passamos a fim de que possamos escolher a melhor forma de manejar-nos no presente. (CASTRO, 2016b, p. 178)

O agente em si pode ser reconhecido como a parte semelhante; a presença de um corpo com cabeça, órgãos, pele e ações genéricas, aspectos que todos os seres humanos apresentam de modo semelhante. O sujeito em si, como a parte diferente entre os seres humanos; a singularidade, a subjetividade que cerca o desenvolvimento das pessoas. Assim, por exemplo, de modo geral, as pessoas podem andar; entretanto, cada uma anda de determinado jeito, com as pernas mais e menos fechadas, arrastam mais e menos os pés. Diferenciar o agente como aquele que age sobre si e sobre os ambientes externos, e o sujeito como aquele que personaliza essas ações a partir das suas orientações internas, pode trazer à tona questões que não são percebidas pela pessoa, favorecendo a integração e a conexão do indivíduo de maneira intra e extrapessoal.

A diferenciação pode aproximar a própria pessoa das suas marcas corporais e as várias formas da unidade de um corpo físico, que pode ser: resiliente, densa, esparramada, rígida e esvaziada. Os gestos, expressões e ações de um corpo são marcados pelo seu comportamento, que por sua vez “aprisionam-se” dentro dessas formas. Podemos reconhecer um sujeito em si ao observar suas formas comportamentais e físicas, por exemplo: alguém que tem condições para acompanhar com ações distintas as situações distintas que cercam o vivente; alguém que frequentemente se mostra ausente da interação ou invasor dos ambientes dos acontecimentos; a pessoa que adere ao ambiente instalando uma carga para ser carregada; outro que diante do conflito busca sempre a verdade, o certo; outro ainda que se deixa levar pelos modos do ambiente, que serve ao líder, cada um desses exemplos estão relacionados, respectivamente com os corpos resiliente, denso, esparramado, rígido e esvaziado.

Reconhecer, problematizar e operar a forma, favorece suavizar as marcas salientes que desativam a circulação de forças dentro dos ambientes, em si e de convivência, é a proposição do MCI, da TAC e do ambiente terapêutico/educacional.

O MCI e a TAC, além de fundamentarem a terapia Alfacorporal, oferecem condições para o desenvolvimento de projetos voltados à educação e saúde, elementos constituintes do desenvolvimento humano.

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