DENISE DE CASTRO


Reflexões sobre Pesquisa em Movimento
Corpo, Criação e Coletividade
Minha pesquisa não parte de metas fixas, mas do movimento da vida. Movimento entendido como aquilo que se transforma enquanto acontece — no corpo, na experiência, na relação com o outro e com o mundo. É nesse campo vivo que se inscrevem minha clínica, meus projetos culturais, meus cursos e a escrita que os acompanha.
Sou mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP e criadora do Método Corpo Intenção® e da Técnica de Alfabetização Corporal®, fundamentos das práticas clínicas, educativas e culturais desenvolvidas no Instituto Corpo Intenção®. Nessa trajetória, compreendo a pesquisa como algo que se faz com o corpo, no encontro entre singularidades, contextos e coletivos — nunca como um percurso linear ou previamente definido.
Os projetos culturais que venho desenvolvendo nos últimos anos, como Paradoxos: Entre os Corpos Possíveis e outros projetos inscritos em editais recentes, ampliam esse campo de investigação. Eles deslocam a pesquisa para espaços públicos de convivência, onde arte, saúde e educação se encontram, e onde a coletividade não apaga a singularidade, mas a atravessa. O coletivo, aqui, não é soma nem consenso: é trânsito, negociação e tensão viva entre modos de existir.
A escrita acompanha esse percurso como prática de escuta e elaboração. Escrever não é apenas comunicar resultados, mas sustentar pausas, nomear experiências, criar bordas provisórias para aquilo que ainda está em processo. Pesquisa, escrita e experiência formam, assim, um mesmo gesto encarnado.
Esse modo de pensar e viver a pesquisa se desdobra nos cursos, oficinas e formações oferecidos pelo Instituto Corpo Intenção®. O minicurso introdutório ao Método Corpo Intenção®, assim como as demais propostas formativas, não têm como objetivo transmitir um conteúdo fechado, mas criar campos de experiência onde cada participante possa investigar sua própria prática — clínica, educativa, artística ou institucional — a partir do corpo em relação.
Sigo interessada em modos de cuidar, educar e criar que não separem vida e conhecimento, indivíduo e coletivo, teoria e prática. O que me move é sustentar espaços onde o corpo possa pensar, sentir e agir — não para chegar a um lugar final, mas para continuar em movimento.
Denise
Janeiro, 2026






