Pílula 1

QUANDO UMA CRIANÇA BRINCA...

Quando uma criança brinca, qualquer que seja a idade dela, ela está orientada para experiências que podem nutri-la de alguma forma, experiências que podem fortalecer seus modos de estar no mundo. Quero dizer que, dentro de uma mesma brincadeira, cada criança vai se encaminhar para um pedaço da experiência em brincar, um pedaço que faça sentido para ela, uma parte da qual ela possa processar e conquistar melhores condições de vida no próprio corpo.

Por exemplo, duas crianças brincando de tapa olho, ou seja, de não enxergar o ambiente externo, podem ter o medo como emoção de fundo, isto é, o medo como a emoção que rege a brincadeira. Diante dessa emoção, cada uma vai explorar o medo de formas diversas. Uma criança pode agir, no ambiente externo, sem cuidados consigo mesma e a outra pode paralisar com um medo excessivo; outra criança pode, ainda, explorar o ambiente externo com cuidado e com desafio. Existe, também, um ambiente interno a ser explorado durante as brincadeiras e, nesse caso, a criança pode lentificar seus gestos, aproximar-se dos próprios sentimentos, ficar em silêncio e nomear, para si, os seus estados.

É interessante perceber que o importante é considerar as escolhas que a criança faz para explorar uma brincadeira, ela sabe de qual “vitamina” está precisando, qual a orientação que define, para ela mesma: sentido, sabedoria e poder.

Diante das escolhas de uma criança brincando, o adulto que se ausenta ou invade a brincadeira, ora desistindo de brincar porque a criança não entende o jeito certo de brincar, ora interferindo o tempo todo nas escolhas da criança para conduzi-la para o modo certo de brincar, pode desorientar a criança. O adulto vai assim desorientar ao instalar um ambiente sem sentido para a própria criança, no qual o adulto se faz extremamente necessário já que ela mesma já não se conduz na brincadeira. Diante de determinadas intervenções do adulto, a criança pode desconfiar das percepções dela durante a experiência, a criança pode ativar defesas contra a manifestação do adulto, e, tanto uma ação quanto a outra podem gerar um ambiente menos favorável para a formação da criança. Nesse caso, podemos nos perguntar qual a orientação do adulto, sentir-se extremamente necessário? Vale uma reflexão!
Denise De Castro

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