Pílula 3

QUANDO UMA CRIANÇA BRINCA

Quando uma criança brinca, qualquer que seja a idade dela, ela pode aprender sobre variados assuntos sem precisar do foco e da disciplina de um adulto. Acontece que, nos primeiros anos de vida, aprender tem a ver, principalmente, com interagir concretamente com o ambiente de informações, com o saber fazer, contrariamente ao saber imaginativo e representativo apenas. Primeiro a criança vive uma experiência física e depois segue experimentando, conquistando, imaginando, representando e desenvolvendo, de fato, um corpo e suas condições físicas para fazer determinadas coisas.

Por exemplo, quando uma criança olha o mar ou acompanha alguém brincando no mar, primeiro, e simultaneamente, experimenta os estados corporais dela mesma: vibração exercida pelo coração, pelo sangue e pela transmissão elétrica; alteração das funções respiratórias; mobilidade articular e ativação muscular; alteração dos limites das paredes do corpo e desequilíbrio diante da excitação corporal. Só para regular e ajustar os aspectos relacionados à interação com as partes do seu próprio corpo, a criança já está praticando um exercício intenso; ela está aprendendo o uso de si na interação com o mundo.

No encontro com o mar, a criança pode aprender a lidar com seu mundo interno ativado pelo contato animador com o mundo externo. Nesse sentido, é interessante que a criança seja apresentada aos ambientes diversos que contêm elementos variados que estimulem a experimentação. Entretanto, é importante, também, que ela tenha tempo para processar a simultaneidade dos acontecimentos novos que se instalam no seu corpo diante da beleza do mar. O seu corpo imaturo, de fato, não tem ainda as condições necessárias para lidar com tantos estímulos: o mar, o pai, o coração, a respiração, seus pés, seus olhos...

O adulto, apesar de bem-intencionado, quando não reconhece e acolhe a imensidão dos elementos diversos que, do nada, disparam dentro e fora do corpo da criança estimulada pela experiência, pode assolar a criança que se percebe sozinha em estados de correnteza arrastando seu corpo que, por instantes, não é mais dela. Vale uma reflexão!
Denise De Castro

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