O Ambiente, interno e externo a si, como Presença

JUCA

Relato de um atendimento tendo como protagonismo os estados impermanentes
do Ambiente gerado por 4 pessoas; eu, o Juca, o papai e a mamãe:
Juca entra no meu consultório
acompanhado do papai e da mamãe;
ele tem sete meses. Seus olhos, assim que me
veem,não se distraem e me seguem
por onde eu vá. Sua face se cola a minha, atraído, com olhos atentos, retirando o seu sossego. Não chora nem tampouco sorri, apenas fixa seus olhos no meu rosto. Está no colo da mãe e percebo que a mamãe, nesse momento, está tranquila e segura seu bebê sem esforço: seus braços
contornam a bacia e as pernas de Juca com
firmeza, leveza e amor. Ela, a mamãe,
quer estar ali comigo, quer a minha ajuda,
confia nas minhas orientações; estamos ligadas
por um campo no qual a força que circula
é a força de atração. O papai
também parece bem e, na relação comigo,
sinto uma alternância entre aproximação e afastamento, buscar e partir. Estamos
em um ambiente de atração;
apesar do estado de leve susto,
existe confiança também.
Estou tranquila com a família; o ambiente interno e externo a mim é favorável. Não
tenho interesse e intenção em pegar o bebê do colo da mãe. Essa reação minha diante de
um bebê é muito com um; não preciso e não concordo com as investidas tão comuns de
um adulto apaixonado sobre o corpo poroso de um bebê. Essas ações podem invadir e
assustar um bebê envolto em uma sensação de ameaça e ainda sem condição de se
defender. O adulto da relação deve saber esperar e se aproximar, com calma, do corpo
do bebê, nessas situações normais
nas quais o bebê está seguro, colado no colo do cuidador do momento.
Vamos para a sala e sentamos todos no chão sobre almofadas e um grande colchonete.
A mãe encosta as costas na parede e coloca o Juca sentado na sua frente. Desse
modo, Juca permanece de costas para ela e de frente para mim, mais perto dela e mais longe de
mim.
O pai senta-se ao lado da mãe encostado na parede. Juca continua me fixando, seus olhos estão atraídos pelos meus gestos, meu rosto. De tempos em tempos, percebo que toca a perna da mamãe, sem virar para ela, apenas confere se a mãe está atrás dele.
Juca começa a se incomodar com algo. Chora reclamando, para de chorar, olha pra mim, pega um brinquedo que ofereço, toca a mãe,reclamando, sem virar o corpo para ela. Vou sentindo que a atração está demais e o corpo de Juca não está tolerando os
impulsos do próprio corpo. Comento as ações com os pais, quero que eles percebam o
ambiente em seu campo de forças. Eles vão acompanhando a narrativa que faço sobre
os gestos do bebê que quer garantir o corpo da mãe bem perto protegendo a si mesmo
dos próprios impulsos orientados para a minha direção. Os gestos do bebê, que segue
me olhando e tocando a mãe, vez
ou outra, vão definindo um corpo ambiente no seu estado de susto diante das várias orientações que movem o corpo próprio.
Resolvo me afastar mais e diminuir a força do campo, e logo percebemos como a minha ação foi assertiva. Juca começa a se tranquilizar, me olha e não me olha, pega um brinquedo e se envolve, volta para mim, descola da mãe, se distrai, me vê, sorri.
Eu me aproximo novamente e Juca retoma os gestos de tocar a mãe e fixar os olhos em mim. Agora de modo mais leve, pois pode brincar e me olhar e tocar a mãe, simultaneamente.
O pai, curioso, sai da parede, ao lado da mãe, e se posiciona mais ao meu lado. Sigo me afastando
e,nesse jogo de afastar e aproximar,podemos acompanhar o Juca que vai se tranquilizando e já pode “esquecer” a mãe e brincar comigo,
diminuindo o conflito de forças em si.
Posso até tocar o seu corpo, e ele sorri. Sons são
emitidos e seus olhos passeiam por mim, mamãe, papai, brinquedos, espaço, o próprio corpo.
Os três adultos presentes podem conversar sobre os acontecimentos e Juca continua
brincando, envolvendo-se com os brinquedos e a brincadeira, com as pessoas e os sons,
com os ambientes e seus estados.
Pronto, o ambiente interno e externo ao Juca
está seguro!

Denise De Castro

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