Conflito Inerente

JOÃO 3

Voltamos ao João, que vocês já conhecem; um menininho cada dia mais lindo que estamos acompanhando em seu caminho de desenvolvimento.

Continuamos às voltas com questões comuns aos pais de qualquer criança. Qual a melhor forma e quais as ações necessárias para tratar de assuntos como: escola, cuidador doméstico, terapias, atividades extracurriculares, ausência/presença dos pais em casa?

O pai e a mãe do João estão tentando se posicionar sobre um tema muito difícil. Será o caso de um deles deixar de trabalhar para ficar em casa com o filho? Será a mãe a pessoa indicada para essa tarefa? Será a mãe a pessoa mais indicada a deixar de trabalhar para acompanhar o menininho em casa e nas suas atividades?

Esclareço que os dois são excelentes profissionais, ambos formados em medicina e atuando com muito vigor; produzindo, aprendendo, influenciando e ganhando dinheiro. São dois profissionais realizados que gostam do que fazem! Vocês podem imaginar o conflito que eu vivo por aqui?! Estou entre as várias orientações que cercam as situações nas quais querer/não querer, entender/não entender, poder/não poder se misturam gerando indefinições, gerando ambientes de passividade ou agressividade, achatando os acontecimentos em uma tentativa heroica, das pessoas, em dar conta de viverem esses mesmos acontecimentos. Precisamos ir devagar!

O pai, com muita delicadeza e dúvida se posiciona, ele tem uma questão. E, ele põe a questão em voz alta – Precisamos saber qual o valor e a premência, para o desenvolvimento do João, de ele ter a mãe por perto! Ele segue dizendo que já conversaram e concluíram, juntos, que a mãe seria a pessoa mais indicada para deixar de trabalhar. Isso, em função da posição profissional dela frente à posição dele. Parece que o pai está mais bem colocado, e deixar de trabalhar prejudicaria muito a família. Desse modo, fica o possível deslocamento de lugar para a mãe.

Meu primeiro movimento foi na direção da mãe; quero saber o que significa para ela deixar de trabalhar. Ela afirma que não tem interesse em deixar de trabalhar, gosta do que faz, sente-se feliz. Mas entende que, se isso for importante e necessário para o João, ela está disposta a fazê-lo. Fico ouvindo e olhando para ela, quero saber através dela, o que tem por dentro, qual a expressão do seu rosto? Nada! Palavras e deveres!

Meu segundo movimento foi na direção de ambos: quero saber em que muda, para eles, a presença da mãe em casa, o tempo todo ao lado do João.

Vejam, cá estou eu, novamente, vivendo o meu conflito. Sou mulher, tenho dois filhos e adoro o meu trabalho, no qual influencio e sou influenciada, constantemente. Enfim, trabalhando desenvolvo-me em várias camadas da minha existência. Imersa no meu ambiente de trabalho confirmo o sentido da minha existência. Como assim uma mulher bem sucedida e feliz profissionalmente vai parar de trabalhar para ficar em casa? Sim, por outro lado, compreendo que o pai tem uma posição muito estável e que é suficiente para sustentar a família. Desse modo, a manutenção do pai na profissão orienta o João para as atividades nas quais estão envolvidos vários profissionais e suas ferramentas de trabalho que podem contribuir com o desenvolvimento dele. Reconheço que, com a mãe em casa, ela vai poder ajustar e acompanhar não só o João, mas estes profissionais que vão cuidar dele. Simultaneamente, envolvo-me com o João, ele precisa de boa atenção geradora de um ambiente favorável para as conquistas dele. Ainda me pergunto: será necessário que a mãe fique o tempo todo às voltas com ele?

Aqui, acho uma entrada possível. Vou questionando a agenda do João: escola todas as manhãs, terapia alfa corporal, fonoaudiologia, natação. Ações necessárias para acompanhar uma criança em risco de desenvolvimento. Quantas horas o menininho fica fora de casa? De fato, o João fica um bom tempo fora de casa envolvido com as suas próprias atividades. Nesse sentido, seria possível a mãe trabalhar meio período? Parece que não, seu local de trabalho não comporta essa escolha: ou fica o dia inteiro ou não pode trabalhar ali. Pode, porém, sair da rotina de trabalho, vez ou outra, sem complicação.

E a babá? E a família? Vamos reconhecendo a presença de avós cuidadosos e disponíveis. Tios queridos e presentes. Esta mãe, nesta família, tem estímulo, tem apoio.

Ofereço-me para receber a babá, posso ensinar várias brincadeiras e ações que vão beneficiar o desenvolvimento do João. A mudança de escola já está se mostrando acertada, e o João adora ir para a escola nova. Combinamos que a presença dos pais nas sessões era indispensável, assim, uma vez vem o pai, outra, a mãe, outra, a babá, e, também, o papai e a mamãe juntos. A vovó está convidada.

A mãe resolve que vai tentar continuar trabalhando e cuidando do seu menininho. Afinal, concordamos, ela vem fazendo isso tão bem! O pai está de acordo.

Denise De Castro

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