Semelhantes e Diferentes

FAMÍLIA

Ao me dedicar em escrever as “Crônicas de Bebês em Presença”, vai ficando cada vez mais marcada em mim a certeza de que uma pessoa não tem como se desenvolver sendo igual a qualquer outra pessoa.

Não se pode ser igual no sentido do caminho trilhado no percurso do próprio desenvolvimento, do começo ao fim. Assim, por exemplo, cada casa tem a sua distribuição dos móveis, e esta distribuição influencia as brincadeiras, determina o que a criança pode ou não experimentar, o que pode ou não mexer, ditando, de certo modo, o desenvolvimento motor e a construção do pensamento do bebê em desenvolvimento. Os modos de se mover dos pais, para a vida, influenciam os avanços da criança no mundo e os recolhimentos para si mesma, ora afirmando, ora negando os interesses próprios.

As crenças da família nuclear e expandida influenciam os ambientes com os quais a criança pode interagir, determinando o certo e o errado. Desse modo, um pequeno agente em seu corpo jovem segue desenvolvendo um pequeno sujeito imerso em seu ambiente e suas condições favoráveis e desfavoráveis. O ambiente e seus estados, ora hostis, ora seguros. Se o bebê vai se tornando adulto, está afirmando o seu destino.

O que estou dizendo é que os bebês nascem essencialmente inacabados e se mantém incapazes por longo tempo. Nesse sentido, precisam que os adultos dispensem cuidados constantes e prolongados na manutenção da sua vida. Se e quando os adultos cuidadores cumprem sua função de cuidar, de um jeito ou de outro, o bebê segue se desenvolvendo, e este desenvolvimento o levará para a vida adulta. O fato é que para estar e ser adulto, vamos nos deparar com a complexidade inerente do desenvolvimento da espécie humana. Essa complexidade inerente constitui a diferença de cada um em seu processo de desenvolvimento.

Desse modo, a verdade que compartilho com vocês é a de que não podemos ser iguais no sentido das combinações e arranjos que cada um faz para seguir vivendo. Nesse sentido, outra verdade me toca, somos semelhantes no que cerca a condição humana de viver os estados impermanentes, próprios, do outro e dos ambientes, e a determinação da transitoriedade da vida. Somos semelhantes e diferentes! Vivemos o constante, que é a mudança e receamos a mudança, que é constante! Essa realidade me acompanha, antes e durante, ao integrar um ambiente familiar. Somos semelhantes diante da complexidade inerente ao reconhecer a existência dos corpos físico, comportamental, emocional e cognitivo que vão se apresentando na cena terapêutica. Esses vários corpos em um acompanham o drama próprio, ora afirmando, ora negando a participação no drama, gerando dilemas.

Acompanhando as famílias, posso me aproximar dos dramas e suas narrativas, lindas histórias contadas pelos próprios personagens. Lindas, no sentido do preenchimento vivo da dor, da alegria, do medo, da tristeza, da raiva. Emoções que constituem os estados impermanentes do humano em nós, e que são acompanhadas de ações, também impermanentes. Cercar essa realidade impermanente é o nosso trabalho juntos, a família e eu.

Estou compartilhando com vocês pequenos relatos de experiências reais e, em cada relato, destacando um recorte condutor de uma determinada reflexão. Os dramas em suas riquezas que, quando compartilhados, intensificam a sensação de estar vivo. Quando compartilhados, considerando o estado de vida real do momento, mesmo na tristeza e mesmo no medo, favorecem mais vida, vitalizam.

O meu desejo, ao escrever as “Crônicas de Bebês em Presença”, é contribuir para a vitalização das pessoas a partir do reconhecimento das variações dos estados próprios e dos outros. Contribuir para a desconstrução do certo OU errado das referências externas. Contribuir para a construção da presença que faz o presente. Desafiar o reconhecimento da presença pulsátil da vida-morte-vida!

Além disso, estou motivada a expandir o território de alcance da terapia de Alfabetização Corporal. Reconheço a necessidade dessa expansão e digo por quê. Meus alunos, pacientes, colegas, com frequência, têm me perguntado como explicar o que eu faço? Que terapia é essa? Eles afirmam que são questões que aparecem de outras pessoas para eles. Pessoas querendo saber mais sobre como eles estão ativando determinadas transformações em si, ou de colegas que acreditam que, para determinada pessoa, a terapia de Alfabetização Corporal seria a mais indicada como tratamento. Estou tentando definir o contorno deste modo de atender as pessoas que procuram o espaço Corpo Intenção.

Prosseguimos!

Denise De Castro

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