DENISE DE CASTRO

DENISE DE CASTRO

Caros e Caras,

Quero compartilhar com vocês - amigos, colegas de profissão, curiosos do MCI e TAC, alunos em formação, pacientes em atendimento, familiares - que ingressei no mestrado em psicologia clínica na PUC-SP, no Núcleo de Subjetividade, sob a orientação de Denise Sant’Anna e como aluna de Suely Rolnik e Peter Pelbart. Todos são autores, professores e pesquisadores admirados por mim e por profissionais da área.

 

O que estou querendo ao me posicionar como mestranda?

 

Escrever!

 

A minha intenção é que, por meio da escrita, eu possa me aprofundar nos conceitos que já estão em curso, na sistematização do MCI e TAC, além de me aproximar do modelo científico de pesquisa.

 

Escrever pode levar a compreender os desdobramentos das indagações e das tentativas em acompanhar, de perto e de longe, os ambientes de acontecimentos nos seus tempos passado e futuro. Escrever, nesse sentido, pode ser um operador de novas possibilidades para as ações e não ações que, quando despertadas no ambiente atual, portanto, contemporâneas ao acontecimento, serão influenciadas pelos diagramas e complexidades desveladas no ato de escrever. O ato de escrever, por sua vez, é influenciado pelas ações e acontecimentos nos quais implicação e explicação se alternam, gerando vida.

 

A dinâmica despertada entre as ações de escrever, solitária, e de compartilhar um texto, coletiva, transporta escritor e leitor de um lugar em si para várias posições também em si. Desse modo, lugares e posições na vida são influenciados pela interação entre o leitor, e como lê, com o escritor, e como escreve.

 

Escrever, para mim, é exigência da clínica. A clínica pede a organização que a escrita promove, a qual pede a aplicação de novas ações e não ações na clínica, que, por sua vez, insiste na potência despertada na escrita para novos desdobramentos. Trata-se de um pulso gerador de vitalidade dentro e fora da clínica.

 

Escrever, nesse sentido, é vivido como fonte que me provê, gerando condições para habitar os processos, nem sempre fáceis e nem sempre difíceis, que são intercorrências despertadas nos campos de práticas vividos no encontro, e sua dupla face desencontro, entre terapeuta e paciente, no ambiente de cuidado.

 

Escrever passa a ser, então, uma ação processadora de mim e, simultaneamente, apaziguadora da espera ativa, condição que um terapeuta deve desenvolver para acompanhar melhor outra pessoa que vive seus próprios processos. Espera ativa entendida como um tempo de espera implicada. Trata-se de uma espera que é definida pela escolha em parar determinada ação ou em sair de certo ambiente e, simultaneamente, ativar uma espera calculada.

 

O que significa espera calculada? A espera para agir em uma direção e, ao mesmo tempo, o despertar para ações em outras direções. Trata-se de ações e não ações que podem ser disparadas de acordo com o interesse, desejo, necessidade e que, simultaneamente, respondem ao tempo de espera para o encontro com as novas condições das pessoas presentes em cena, no caso, presentes no ambiente de cuidado que envolve tanto o terapeuta como o paciente.

 

O envolvimento com o mestrado e, principalmente, no núcleo de subjetividade, pode me aproximar dessa fonte que me nutre para fazer as passagens pelos estreitos que se revelam na vida, pelos quais eu passo por apertos que me fornecem orientações e caminhos que desejo trilhar em busca de vitalidade, apesar, e claramente, da presença do medo. Medo como tempestade interna e expressão legítima de quem vive e pretende seguir vivendo até o fim.

 

Denise de Castro

Dezembro, 2019

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